Imóveis de um dormitório são os campeões de valorização em 2026, aponta FipeZap

Crescimento da demanda por locação e avanço do Nordeste impulsionam os preços e atraem investidores

De acordo com o Índice FipeZap, os apartamentos compactos registraram valorização de 7,35% nos últimos 12 meses, desempenho superior ao observado em outras tipologias residenciais e acima da inflação do período. O movimento ocorre em meio à alta dos preços em 51 das 56 cidades monitoradas pelo levantamento e reflete mudanças no perfil. Especialistas explicam os fatores por trás do crescimento dos imóveis de um dormitório e analisam o protagonismo das capitais nordestinas, com destaque para Aracaju e João Pessoa entre os mercados imobiliários mais valorizados do país. 

Além de atenderem a um público crescente formado por jovens profissionais, estudantes e pessoas que moram sozinhas, os imóveis compactos também têm atraído investidores em busca de maior rentabilidade. Segundo dados do AirDNA, o número de imóveis listados em plataformas no formato Short Stay, locação de imóveis mobiliados por períodos breves, registrou um salto de 205 mil em 2021 para mais de 619 mil em 2026. Com ticket de entrada mais acessível e custos operacionais reduzidos, essas unidades tendem a apresentar maior rotatividade no mercado. 

Para Renan Lopes, especialista em imóveis e sócio da Smart Leilões, a preferência pelos imóveis compactos está diretamente relacionada à rentabilidade. “Os apartamentos de um dormitório costumam apresentar alta liquidez e demanda constante para locação, especialmente em regiões urbanas e turísticas. Isso reduz o tempo de vacância e aumenta o potencial de retorno para o investidor”, explica. 

Entre os mercados que mais despertam atenção as capitais nordestinas ocupam as primeiras posições com Aracaju (+1,88%), João Pessoa (+1,46%), Teresina (+1,43%), Salvador (+1,15%) e Natal (+1,01%). O resultado supera a média nacional observada pelo FipeZap e coloca as cidades nordestinas com os melhores desempenhos imobiliários do país. O preço médio do metro quadrado em João Pessoa, por exemplo, alcançou R$ 8.199, valor ainda competitivo quando comparado a grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, onde os preços médios superam os R$ 11 mil por metro quadrado em diversas regiões. 

Para Paulo Dornelle, fundador e CEO da Okre Imóveis, empresa com atuação em João Pessoa, Rio de Janeiro e São Paulo, o crescimento das capitais nordestinas está diretamente ligado ao movimento de investidores em busca de novos polos de valorização. “O Nordeste vem apresentando crescimento consistente, qualidade de vida elevada, desenvolvimento urbano e forte valorização imobiliária. É um mercado que ainda oferece oportunidades relevantes de ganho patrimonial quando comparado a capitais mais consolidadas, que já operam com preços muito mais elevados”, afirma. 

Entre as 56 cidades monitoradas pelo índice, 51 registraram aumento nos preços de venda em maio. No acumulado dos últimos 12 meses, o valor médio dos imóveis residenciais no Brasil avançou acima da inflação oficial do período, evidenciando a força do setor mesmo em um cenário de juros elevados. Nesse contexto, os imóveis compactos se destacam por reunir dois fatores cada vez mais valorizados pelos investidores: menor custo de aquisição e maior potencial de ocupação, especialmente em cidades que vêm atraindo novos moradores e investimentos.

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