Hotelaria e residências de alto padrão apostam em tecnologia e sustentabilidade para redefinir o setor imobiliário

A inovação no mercado imobiliário de alto padrão está cada vez menos associada apenas à arquitetura e cada vez mais relacionada à inteligência por trás dos empreendimentos. Em um cenário marcado por consumidores mais exigentes e pela busca por eficiência operacional, sustentabilidade e qualidade de vida, projetos que integram hotelaria, segunda residência e tecnologia vêm ganhando espaço em todo o mundo.
 

A tendência acompanha o crescimento global do segmento de branded residences, modelo que combina a segurança e os serviços de uma marca hoteleira internacional com a propriedade de uma residência privada. Mais do que um imóvel, o conceito oferece acesso a uma infraestrutura completa de hospitalidade, gestão profissional e experiências integradas ao estilo de vida contemporâneo.
 

Nesse contexto, o Kempinski Laje de Pedra, em Canela (RS), surge como um exemplo de como inovação, engenharia e sustentabilidade podem estar presentes desde a concepção do empreendimento. O projeto reúne hotel e residências de alto padrão em um mesmo complexo e foi desenvolvido com uma série de estudos técnicos voltados à eficiência operacional, à preservação de recursos naturais e ao conforto dos usuários.
 

Segundo o diretor técnico da área de Projeto e Engenharia do Kempinski Laje de Pedra, Luiz Henrique Vasconcellos, o setor vive uma transformação importante em seu modelo de negócio. “O mercado evoluiu. Hoje, o consumidor não busca apenas adquirir um imóvel ou se hospedar em um hotel. Ele procura uma experiência completa, com serviços, conveniência, sustentabilidade e tecnologia. Isso exige que os empreendimentos sejam pensados de forma muito mais integrada e inteligente desde a origem.”
 

Entre os diferenciais do projeto está a realização de estudos avançados de microclima e simulações computacionais que analisaram a incidência de ventos, radiação solar e condições ambientais específicas da região para orientar decisões arquitetônicas e paisagísticas. O objetivo foi criar ambientes externos e internos mais confortáveis, aproveitando melhor as características naturais do local e reduzindo a necessidade de intervenções artificiais para a climatização.

Outro destaque foi a realização de ensaios em túnel de vento conduzidos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que permitiram avaliar o comportamento da edificação diante das condições climáticas da Serra Gaúcha. Os resultados contribuíram para o aprimoramento de estruturas, fachadas, coberturas e sistemas de vedação, aumentando o desempenho e a segurança do empreendimento.

A tecnologia também está presente na operação. O complexo foi concebido como uma edificação inteligente, com sistemas integrados de automação e monitoramento capazes de gerenciar iluminação, climatização, consumo de energia, recursos hídricos e diversos sistemas prediais em tempo real. Além de elevar o conforto dos hóspedes e moradores, a solução contribui para a redução de desperdícios e para a otimização dos custos operacionais. 

Nas residências e suítes, a automação permitirá o controle intuitivo de iluminação, temperatura, cortinas e outros recursos, enquanto sistemas integrados serão capazes de ajustar automaticamente o consumo energético quando os ambientes estiverem desocupados. 

A sustentabilidade é outro pilar central do projeto. Desenvolvido com diretrizes alinhadas à certificação Leed Platinum, o empreendimento incorpora soluções voltadas à eficiência energética, ao conforto ambiental e ao uso racional de recursos naturais. Entre as estratégias adotadas estão sistemas de geração de energia fotovoltaica, reaproveitamento de água da chuva, iluminação LED de alta eficiência, automação predial e materiais com elevado desempenho térmico. 

Os estudos energéticos realizados durante o desenvolvimento apontam potencial de redução de aproximadamente 30% no consumo energético em comparação aos parâmetros convencionais de mercado, resultado que impacta diretamente a eficiência operacional e os custos de longo prazo do empreendimento. “A sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ambiental e passou a ser uma questão estratégica. Empreendimentos mais eficientes consomem menos recursos, operam melhor e preservam valor ao longo do tempo. Isso beneficia proprietários, hóspedes, investidores e toda a operação”, afirma Vasconcellos. 

Para o especialista, o futuro do setor passa justamente pela integração entre hospitalidade, moradia, tecnologia e responsabilidade ambiental. “Os empreendimentos mais relevantes dos próximos anos serão aqueles capazes de combinar experiência, eficiência e inteligência operacional. A inovação não está apenas no que o cliente vê, mas em tudo o que acontece nos bastidores para entregar mais conforto, melhor desempenho e maior sustentabilidade.”


 

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