A manutenção dos juros em patamar elevado continua produzindo efeitos negativos sobre famílias e empresas brasileiras, avalia Luiz França, presidente da ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadoras. O aumento da inadimplência, o crescimento do endividamento das famílias e o avanço das recuperações judiciais refletem os impactos de um ambiente de crédito caro e restritivo sobre a economia.
Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha reduzido a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, a entidade considera que o atual nível dos juros segue impondo custos excessivos para a atividade produtiva, dificultando investimentos, limitando a geração de empregos e comprometendo a capacidade financeira das famílias.
Os efeitos desse cenário já podem ser observados em diversos indicadores econômicos. Desde o início do atual ciclo de alta dos juros, o percentual de famílias endividadas saltou de 39,9% para 49,9%, atingindo quase metade dos lares brasileiros. Atualmente, 81,7 milhões de brasileiros possuem contas em atraso e nome negativado, dos quais 15,4 milhões de famílias enfrentam situação considerada crítica, com dívidas superiores a 90 dias e sem condições financeiras imediatas de regularização.
“O impacto dos juros elevados vai muito além do crédito imobiliário. Estamos falando de famílias que perdem capacidade de consumo, enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento e recorrem cada vez mais ao endividamento para atender despesas do dia a dia. Ao mesmo tempo, empresas encontram mais obstáculos para investir, crescer e gerar empregos”, afirma França.
A entidade destaca que o ambiente de crédito restritivo também tem pressionado fortemente o setor produtivo. Em 2025, o número de empresas em recuperação judicial atingiu recorde no país, com crescimento de 24,3% em relação ao ano anterior, totalizando 5.680 casos. Somente no estado de São Paulo, o aumento foi de 40%, alcançando 1.836 empresas.
Para França, esses números demonstram os efeitos de um custo de capital elevado por período prolongado. Uma empresa que tenha contratado um empréstimo de R$ 10 milhões há três anos, considerando as taxas medidas aplicadas pelo Bacen para Pessoa Jurídica, teria acumulado uma dívida superior a R$ 17 milhões, desembolsando mais de R$ 7 milhões apenas em juros.
“Quando o custo financeiro alcança esse nível, muitos projetos deixam de ser viáveis. As empresas reduzem investimentos, adiam contratações e perdem competitividade. O resultado é uma economia menos dinâmica, com menor crescimento, menos oportunidades e maior pressão sobre a renda da população”, acrescenta Luiz França.
Para a entidade, a redução mais consistente dos juros é fundamental para restaurar as condições de investimento, aliviar a pressão financeira sobre famílias e empresas e criar um ambiente mais favorável ao crescimento sustentável da economia brasileira.
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