O mercado imobiliário residencial encerrou o 4º trimestre de 2025 com alta nos índices de procura e venda de imóveis residenciais do segmento Minha Casa, Minha Vida (MCMV). É o que mostra o Indicador de Confiança do Setor Imobiliário Residencial, considerado o termômetro do mercado imobiliário residencial, que é elaborado pela Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC) e pela Deloitte. O levantamento contou com a participação de executivos C-level de 44 construtoras e incorporadoras do setor imobiliário residencial, sendo 36% com atuação no segmento de MCMV, 24% no mercado de médio e alto padrão (MAP) e 40% atuantes em ambos.
No MCMV, a alta de 2,5% do índice de procura e de 0,7% no de venda é resultado, principalmente, da alta intenção de compra no país, taxa de desemprego na mínima histórica (5,6%), além de orçamento do FGTS em patamar suficiente para viabilizar a demanda. Assim, no 4º trimestre, 22% dos executivos que atuam no segmento apontaram crescimento na demanda, frente aos 8% registrados no trimestre anterior.
Os resultados trazem otimismo para o segmento econômico: entre os executivos que atuam no MCMV, 97% planejam lançar pelo menos um novo empreendimento nos próximos 12 meses, sinalizando confiança na sustentação do ciclo de vendas. Além disso, 94% manifestaram intenção de adquirir terrenos, movimento que antecipa a confiança em futuros projetos para 2026.
No segmento MAP, quase 2 a cada 3 executivos – 62% dos entrevistados – pretendem adquirir terrenos nos próximos 12 meses. O quadro é reflexo dos recuos de 23% e 21% nos índices de procura e vendas de imóveis residenciais, respectivamente, no 4º trimestre de 2025. Esse cenário ocorre porque a demanda pelo MAP tem sofrido pressão pelo encarecimento do crédito, enquanto o financiamento habitacional do MCMV é menos sensível às variações da taxa de juros de mercado, pois utiliza recursos do FGTS.
“O setor imobiliário segue demonstrando resiliência. A confiança das incorporadoras no segmento econômico, refletida nos planos de lançamentos e na aquisição de terrenos, indica que o mercado continua se preparando para atender uma demanda habitacional estrutural relevante no país. Ao mesmo tempo, o segmento de médio e alto padrão atravessa um momento de ajuste natural diante das condições de crédito”, analisa Luiz França, presidente da ABRAINC.
O índice geral de preços dos imóveis residenciais registrou crescimento de 2,4% em relação ao trimestre anterior. Considerando apenas o segmento MCMV, o índice de preços avançou 3,7% na comparação trimestral. Já no MAP, os valores permaneceram praticamente estáveis no período, o que indica um ambiente de demanda mais cautelosa, influenciado pelo nível ainda elevado das taxas de financiamento e por um ajuste gradual entre oferta e capacidade de pagamento dos compradores.
“Apesar das dinâmicas distintas entre o MCMV e o mercado de alto padrão, a manutenção dos planos de lançamento e da estratégia de aquisição de terrenos por parte das incorporadoras sinaliza confiança nos próximos ciclos, mesmo em um ambiente de atividade mais moderada e crédito mais restrito. Nesse contexto, o mercado pode abrir espaço a oportunidades seletivas para investidores, incorporadoras e agentes financeiros para este ano”, avalia Claudia Baggio, sócia-líder da prática de Real Estate da Deloitte.
Para 2026, a expectativa é que o MCMV deverá continuar liderando o setor, sustentado pelo aumento da base de compradores elegíveis, pelo acesso ao crédito e pela necessidade estrutural de moradia no país. Em relação aos preços, a tendência é de continuidade da alta no curto prazo para ambos os segmentos. No médio prazo (12 meses) e no horizonte de cinco anos, as projeções indicam manutenção do ciclo de valorização, apoiado tanto na demanda quanto nos custos de construção.
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