O setor imobiliário apresentou, no primeiro semestre deste ano, um decréscimo de 29,63% em fusões e aquisições, de acordo com a pesquisa trimestral da KPMG. A indústria apontou 19 operações de janeiro a junho, enquanto no mesmo período do ano passado, foram concretizadas 27 operações. Apesar de certos segmentos do setor imobiliário estarem com volume de transações similar, como por exemplo o segmento de shopping centers, de maneira geral, o setor imobiliário apresenta decréscimo em relação ao ano passado.
“A queda nas operações de fusões e aquisições no setor imobiliário reflete, em grande parte, o impacto de fatores como a alta global das taxas de juros no Brasil, a volatilidade dos mercados internacionais e o aumento na percepção de risco por parte dos investidores. Esses elementos têm levado a uma maior cautela na tomada de decisão e na alocação de capital”, explica o sócio da KPMG no Brasil, Juan Diaz.
Com relação ao tipo de operação realizada no setor, das 19 concretizadas no primeiro semestre deste ano, 12 foram domésticas, ou seja, realizadas entre brasileiras; 4 envolveram investidores não brasileiras adquirindo capital de companhia estabelecida no país (tipo CB1); 2 transações brasileira adquirindo, de estrangeiros, outra estabelecida no exterior (CB2) e mais 1 transação envolveu estrangeira comprando, de brasileiros, empresa estabelecida no exterior (CB5).
Brasil: queda de 5% e maior participação estrangeira
As empresas brasileiras realizaram 739 operações de fusões e aquisições no primeiro semestre deste ano. Esse número representa uma queda de quase cerca de 5% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram concretizados 776 negócios. O estudo apontou ainda que houve um aumento na quantidade de transações em que investidores estrangeiros compram empresas brasileiras. No primeiro semestre deste ano, foram 199 operações contra 178, no intervalo equivalente de 2024, um acréscimo de quase 12%. O mesmo movimento aconteceu nas operações em que organizações brasileiras adquiriram outra estabelecida no exterior, passando de 47, nos primeiros meses do ano passado, para 58 este ano (23%).
“De forma geral, o cenário de fusões e aquisições permaneceu estável, apesar de questões globais geopolíticas e fiscais no mercado interno. E esses dois tipos de negociações sustentaram o número de transações realizadas este semestre. Por outro lado, as operações domésticas, envolvendo apenas investidores brasileiros, tiveram uma queda, apontando que o mercado interno sofreu uma pequena retração no período, ocasionado pelas altas de juros e discussões fiscais”, avalia o sócio da KPMG, Paulo Guilherme Coimbra.
