Inventário cresce 13% em um ano e pipeline de 3,4 milhões de m² pressiona oferta diante de demanda aquecida puxada pelo e-commerce
Dados da Colliers apontam que o mercado brasileiro de condomínios logísticos de alto padrão iniciou 2026 em ritmo acelerado, combinando vacância no menor nível da série histórica, crescimento do inventário e mais de R$ 1 bilhão em vendas no primeiro trimestre.
O movimento ocorre em um cenário de expansão contínua. Nos últimos 12 meses, o inventário nacional avançou 13%, consolidando o crescimento estrutural do setor. Ao mesmo tempo, a taxa de vacância recuou para o menor patamar, nos últimos 10 anos, refletindo a elevada ocupação dos empreendimentos e a continuidade das pré-locações.
Empresas ligadas ao e-commerce seguem no topo da lista dos principais contratos firmados no período. A busca por eficiência logística e proximidade com grandes centros urbanos mantém o segmento aquecido, mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador.
Para atender essa demanda, o pipeline para os próximos 24 meses soma 3,4 milhões de metros quadrados em desenvolvimento. Ainda assim, a expectativa é de manutenção da vacância entre 6% e 7% em 2026, com pressão localizada em mercados de maior escassez, como São Paulo.
Outro destaque do trimestre foi o volume de transações envolvendo ativos logísticos. As vendas superaram R$1 bilhão no período, reforçando o interesse de fundos imobiliários e investidores institucionais pelo segmento, considerado um dos mais resilientes e estratégicos dentro do mercado imobiliário.
O forte desempenho no início do ano reforça a perspectiva de continuidade do ciclo positivo ao longo de 2026, com manutenção de altos níveis de ocupação e possível pressão adicional sobre os preços em mercados com baixa disponibilidade.
Para Ricardo Betancourt, CEO da Colliers, os dados confirmam a consolidação do setor como um dos mais resilientes do mercado imobiliário.
“O mercado logístico inicia 2026 com todos os indicadores no campo positivo. O inventário está em expansão, a vacância recuou para o menor nível, os valores de locação seguem em alta e o interesse por esta classe de ativos permanece atraindo investidores”, afirma o executivo.
Segundo ele, a tendência é de continuidade desse movimento ao longo do ano, ainda que com maior equilíbrio entre oferta e demanda.
“O pipeline para o curto prazo é relevante, mas está pressionado. Isso porque há pouca oferta em diversas praças, estimulando as pré-locações. O cenário ainda é de elevação dos preços pedidos”, completa.
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