Preços dos imóveis sobem 0,61% em julho, mas valorização em 12 meses desacelera de 17,49% para 15,78%

O índice IGMI-R da Abecip também mostra alta de 5,64% entre janeiro e julho; Recife e Curitiba lideram valorização no ano, enquanto Porto Alegre tem maior avanço mensal.

Os preços dos imóveis residenciais voltaram a ganhar ritmo em julho, mas continuaram desacelerando quando considerada a janela de 12 meses. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), avançou 0,61% no mês, depois de alta de 0,38% em junho. No acumulado em 12 meses, porém, a taxa recuou de 17,49% para 15,78%, quarto mês consecutivo de desaceleração após atingir 19,76% em março.

Entre janeiro e julho, o IGMI-R acumulou valorização de 5,64%, abaixo dos 8,25% registrados no mesmo período de 2025 e dos 8,10% de 2024. Apesar da perda de intensidade na comparação anual, todas as dez capitais acompanhadas pelo levantamento acumularam alta dos preços em 2026, mostrando que a valorização continua disseminada, mas com diferenças relevantes entre os mercados locais.

No mês de julho, seis das dez capitais pesquisadas aceleraram. Porto Alegre apresentou a maior alta mensal, de 2,28%, seguida por Goiânia, com 1,55%, e Recife, com 1,45%. Já Salvador foi a única cidade a registrar queda, de 0,16%.

Na comparação em 12 meses, Recife permaneceu com a maior valorização, de 27,12%, seguida por Curitiba (26,15%), Salvador (20,80%), Brasília (19,06%) e Porto Alegre (18,95%).

Sudeste

O comportamento também foi distinto entre as regiões. No Sudeste, Belo Horizonte acelerou de 0,42% para 0,70% em julho e o Rio de Janeiro, de 0,38% para 0,90%, enquanto São Paulo desacelerou de 0,29% para 0,25%. As três capitais, contudo, ficaram abaixo do resultado nacional no acumulado de janeiro a julho: São Paulo avançou 4,73%, Rio de Janeiro, 4,32%, e Belo Horizonte, 3,66%.

Nordeste

No Nordeste, Recife voltou a se destacar, com avanço de 1,45% em julho e valorização de 10,44% no acumulado do ano, a maior entre todas as cidades pesquisadas. Salvador caiu 0,16% no mês, mas ainda acumula alta de 6,56% em 2026. Fortaleza passou de queda de 0,29% em junho para alta de 0,41% em julho, embora tenha a menor valorização no ano entre as capitais monitoradas, de 2,13%.

Sul

No Sul, Porto Alegre registrou o maior avanço mensal do levantamento, de 2,28%, e acumulou alta de 8,57% entre janeiro e julho. Curitiba avançou 0,43% no mês e soma 9,07% no ano, segunda maior valorização entre as capitais.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste, Goiânia acelerou para 1,55% em julho e acumula 7,44% em 2026, enquanto Brasília subiu 0,20% no mês e 5,87% no ano.

Preços dos imóveis residenciais subindo

Mesmo com a desaceleração recente, os preços dos imóveis residenciais continuam avançando em ritmo muito superior à inflação e aos principais indicadores ligados ao mercado imobiliário. Em 12 meses até julho, o IGMI-R acumulou 15,78%, diante de 6,40% do INCC, indicador dos custos da construção, 5,08% do IVAR, que acompanha os aluguéis residenciais, e 4,44% do IPCA.

A diferença em relação ao custo da construção diminuiu nos últimos meses, mas ainda é expressiva. Em julho, a valorização dos imóveis superou o INCC em 9,38 pontos percentuais. Frente aos aluguéis, a distância foi de 10,70 pontos, enquanto a diferença para a inflação ao consumidor chegou a 11,34 pontos percentuais.

Descontada a variação do IPCA, o IGMI-R apresentou valorização real aproximada de 10,9% em 12 meses, indicando que os preços dos imóveis residenciais continuaram crescendo significativamente acima da inflação. O movimento reforça que a valorização observada no mercado não acompanha apenas os custos da construção ou a inflação geral, mas também reflete condições próprias de cada mercado local, como oferta, demanda e disponibilidade de imóveis.

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