Por Alberto Kunath, cofundador e CEO da Kronan
Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada na construção civil como um “plus”: algo desejável, mas opcional. Um discurso bonito para relatórios institucionais, distante da planilha de custos e das decisões estratégicas. Esse raciocínio já não se sustenta. Hoje, construir de forma sustentável deixou de ser uma escolha ideológica e passou a ser um imperativo econômico.
As estimativas do setor apontam que os resíduos da construção e demolição (RCD) representam entre 30% e 40% de toda a massa de resíduos gerados no país. É um número que revela não apenas um impacto ambiental expressivo, mas uma ineficiência estrutural. Cada caçamba descartada carrega também tempo perdido, material desperdiçado, dinheiro que não volta e processos que poderiam ser mais inteligentes.
Em um mercado pressionado por custos elevados, margens cada vez mais estreitas e prazos rigorosos, continuar operando com alto nível de retrabalho e desperdício não é apenas insustentável do ponto de vista ambiental, é arriscado do ponto de vista do negócio. Sustentabilidade, aqui, não se trata de plantar árvores ao final da obra, mas de redesenhar o modo de construir.
Métodos mais industrializados demonstram que é possível reduzir drasticamente perdas de material, consumo de água, geração de entulho e improviso no canteiro. Ao transferir parte relevante do processo para ambientes controlados, com planejamento, padronização e precisão, a obra deixa de ser um campo de incertezas para se tornar uma operação previsível. E previsibilidade é valor econômico.
Construir com menos resíduos significa gastar menos com insumos, transporte, descarte e correções. Significa também cumprir prazos com maior consistência, reduzir conflitos entre etapas e entregar qualidade mais homogênea. Em outras palavras, sustentabilidade passa a ser sinônimo de eficiência não só antes, como durante a obra e, especialmente, entregando produtos com melhor performance operacional para as décadas ou séculos de vida útil de uma edificação.
O mercado já percebeu isso. Investidores, incorporadores, clientes finais e até o poder público começam a exigir obras mais limpas, rápidas e responsáveis. Não por altruísmo, mas porque compreendem que empreendimentos mais eficientes são também mais seguros, mais valorizados e mais competitivos.
A construção civil sempre foi um setor que reage lentamente às mudanças. Mas o contexto atual não permite mais inércia. Sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a ser critério de decisão. Quem entender isso primeiro não estará apenas construindo melhor. Estará ocupando um espaço que, em breve, não terá mais lugar para quem insiste em desperdiçar.
