O custo de construção continuamente baixo na América Latina, em comparação com outros mercados globais, está ajudando a atrair investidores – mesmo diante da incerteza sobre o comércio internacional e a política doméstica em alguns países. Essa análise vem do relatório Global Construction Market Intelligence (GCMI) 2025 da consultoria global de gestão de projetos Turner & Townsend .
Nesta análise dos mercados de construção de 99 cidades globais, todos os mercados latino-americanos estão posicionados na metade inferior do ranking. Bogotá se destaca como o mercado regional menos custoso, com uma média de US$1.265 por metro quadrado, enquanto o Rio de Janeiro, no Brasil, aparece como o segundo mais barato, com US$1.413 por metro quadrado.
A atratividade da América Latina para investidores tem sido favorecida pelo encerramento de diversas eleições nacionais ao longo do último ano, incluindo no México, Brasil e Colômbia, o que impede a incerteza política. As taxas de juros também se estabilizaram, incentivando o investimento, embora esse cenário ainda não tenha impactado diretamente as taxas de inflação dos custos de construção. Embora se preveja que a inflação média dos custos de construção na América Latina caia de 7,16% em 2024 para 4,16% em 2025, essa tendência é impulsionada pelo mercado de Buenos Aires. Nesse caso, a Turner & Townsend projeta uma queda da taxa de inflação dos custos de construção de 30,0% em 2024 para uma estimativa de 5,0% até 2026.
No entanto, em todos os demais mercados da região, espera-se que a escalada dos custos de construção se mantenha estável ou aumente. Em Santiago, a turbulência política prevista para as próximas eleições deve elevar a inflação dos custos para 4,0%. A instabilidade política e de políticas públicas continua sendo o maior desafio relatado para a construção regional na pesquisa GCMI — com alguns investidores optando por desacelerar ou pausar a tomada de decisões.
A América Latina tem sido parcialmente protegida dos choques empresariais globais graças à sua forte indústria de mineração, ou que tem viabilizado investimentos em imóveis em outros setores, como corporativos e de transporte — conforme refletido nos dados do relatório. Uma corrida por minerais, impulsionada por avanços tecnológicos, levou à expansão de plantas de processamento de cobre e lítio em mercados como Chile e Argentina. Em Santiago, essa demanda está elevando os custos imobiliários, que atualmente estão em US$ 1.899 por metro quadrado, com previsão de novo aumento de 4,0% em 2025.
O investimento em infraestrutura também está impulsionando os preços no Brasil, onde se prevê um aumento nos custos à medida que os recursos são direcionados para melhorar a conectividade dentro das cidades e entre elas. Com Belém, no Pará, prevê a sedação da COP30, por exemplo, há um esforço crescente para ampliar o transporte nos principais centros urbanos do país, por meio de programas como o NOA Belém Airport District.
O impacto das tarifas e das guerras comerciais é apontado como uma ameaça importante no relatório, especialmente para mercados com forte ligação aos Estados Unidos, como o México. Embora a demanda por espaços comerciais corporativos esteja crescendo no país, a dependência de atualmente para muitos materiais de acabamento, em um momento de incerteza nas negociações comerciais, tende a aumentar a inflação dos custos de construção em Monterrey de 5,0% em 2025 para 7,0% em 2026. Atualmente, o custo médio de construção na cidade é de US$2.199 por metro quadrado.
O relatório recomenda aos clientes que olhem além da turbulência política de curto prazo e considerem os fundamentos sólidos da região para investimentos futuros. Em vez de projetos interrompidos devido a choques momentâneos, é importante focar em produtividade e eficiência — inclusive por meio de soluções digitais — para manter os programas em andamento diante da incerteza.
Sergio Panero, líder regional de Real Estate na América Latina, diz: Turner & Townsend diz:
“Sinais de retorno da estabilidade no mercado abriram diversas oportunidades ao longo do último ano. Um setor de mineração forte tem servido como trampolim econômico para o crescimento de outros setores, como os empreendimentos de uso conjunto, por exemplo. Essa demanda — que vai da habitação à infraestrutura — não dá sinais de desaceleração.”
“Isso não quer dizer que não existem desafios. Com outro ciclo de eleições e eleições legislativas se aproximando em mercados como Chile e Argentina, além da persistente incerteza nas cadeias globais de suprimentos, não é surpresa a hesitação estar começando a influência nas decisões de investimento.”
“Mas os clientes precisam olhar além do curto prazo, considerando os custos de construção acessíveis, a mão de obra disponível e a diversidade de mercados em crescimento. As empresas que experimentam novos modelos de aquisição e entrega para assumir o controle de sua cadeia de suprimentos e agora conquistam uma vantagem competitiva e maximizam o potencial de crescimento em toda a região.”
O GCMI mostra os Estados Unidos mantendo uma posição forte entre os mercados mais caros do mundo para construção. Cinco cidades norte-americanas estão entre as dez primeiras colocadas. Nova York está em primeiro lugar, com custo médio de US$5.744 por metro quadrado, seguido por São Francisco com US$5.504. Los Angeles (US$ 4.786) ocupa a sexta posição, Chicago a sétima (US$ 4.695) e Filadélfia a nona (US$ 4.604).
Ranking dos mercados latino-americanos:
| Região | Classificação (/99 mercados) | Custo por m2 (US$) | Inflação dos custos de construção em 2024 (%) | Inflação dos custos de construção em 2025 (%) | Salário / hora(US$) | |
| Buenos Aires | América Latina | 66 | 2.400 | 30,0 | 10.0 | 8.0 |
| Monterrei | América Latina | 70 | 2.199 | 5.0 | 5.0 | 4.0 |
| Cidade do México | América Latina | 73 | 1.935 | 3.6 | 3.7 | 6.8 |
| Santiago | América Latina | 75 | 1.899 | 3.0 | 4.0 | 8.6 |
| São Paulo | América Latina | 77 | 1.454 | 2.6 | 2.8 | 6.4 |
| Rio de Janeiro | América Latina | 78 | 1.413 | 2.6 | 2.8 | 6.2 |
| Bogotá | América Latina | 80 | 1.265 | 3,5 | 4.0 | 4.9 |
Top 10 do ranking global:
| Região | Classificação (/99 mercados) | Custo por m2 (US$) | Inflação dos custos de construção em 2024 (%) | Inflação dos custos de construção em 2025 (%) | Salário / hora(US$) | |
| Nova Iorque | América do Norte | 1 | 5.744 | 3.3 | 3,5 | 131,4 |
| São Francisco | América do Norte | 2 | 5.504 | 3,5 | 4.0 | 117,5 |
| Zurique | Europa | 3 | 5.386 | 0,7 | 1.0 | 117,9 |
| Genebra | Europa | 4 | 5.386 | 0,6 | 1.0 | 117,9 |
| Londres | Reino Unido | 5 | 5.385 | 2.0 | 3.0 | 56,8 |
| Los Angeles | América do Norte | 6 | 4.786 | 2.3 | 4.0 | 71,4 |
| Chicago | América do Norte | 7 | 4.695 | 3,5 | 3,5 | 79,5 |
| Tóquio | Ásia | 8 | 4.647 | 5.8 | 5.6 | 29.1 |
| Filadélfia | América do Norte | 9 | 4.604 | 3.0 | 5.0 | 107,9 |
| Sapporo | Ásia | 10 | 4.577 | 5.8 | 5.6 | 24.2 |
O relatório completo está disponível no site da Turner & Townsend: Home – GCMI 2025
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