68% dos compradores de alto padrão preferem silêncio a ostentação, aponta mercado imobiliário

Silêncio ganha espaço entre os atributos mais valorizados nos imóveis de alto padrão. Adensamento urbano amplia a atenção ao conforto acústico e leva incorporadoras a avaliar esquadrias, vidros e sistemas construtivos desde a concepção dos projetos

O avanço da verticalização nos bairros mais valorizados das grandes cidades está mudando a percepção de conforto no mercado imobiliário de alto padrão. Além da metragem, da localização e da arquitetura, a capacidade de preservar o silêncio e a privacidade dentro de casa ganha relevância na decisão de compra.

A mudança ocorre em um segmento que encerrou 2025 com R$ 30 bilhões em Valor Geral de Vendas lançado, avanço de 20% sobre os R$ 25 bilhões registrados em 2024. Nesse contexto, o desempenho acústico deixa de ser tratado apenas como requisito técnico e passa a integrar a experiência de morar.

A ABNT NBR 15575, que estabelece critérios de desempenho para edificações habitacionais, prevê desempenho mínimo de isolamento a ruído aéreo de 45 dB entre unidades autônomas quando ao menos um dos ambientes é dormitório. O parâmetro define o requisito técnico mínimo, mas projetos de alto padrão podem adotar soluções específicas para responder às condições acústicas de cada terreno e de seu entorno.

Adensamento urbano amplia a atenção ao conforto dentro de casa

Durante anos, o alto padrão foi associado principalmente à metragem, à localização e à assinatura arquitetônica. Com a aproximação entre edificações e o crescimento do tráfego urbano, o controle dos ruídos externos e internos passou a exigir decisões tomadas ainda na fase de projeto.

Em bairros verticalizados de Curitiba e Londrina, a orientação das fachadas, a proximidade de vias movimentadas e as características do entorno podem influenciar a escolha de esquadrias, vidros e demais componentes da edificação.

Conforto acústico começa na análise de cada empreendimento

Cumprir a ABNT NBR 15575 é uma condição técnica do projeto, não um diferencial de comunicação. A distinção está na maneira como cada empreendimento avalia seu contexto e define as soluções mais adequadas para atenuar os ruídos.

Na Plaenge, incorporadora que atua no segmento de alto padrão em cidades como Curitiba e Londrina, os estudos de conforto acústico incluem testes com diferentes tipologias e combinações de vidros e esquadrias. O trabalho teve início há quase uma década e já considerou mais de 50 combinações possíveis, selecionadas conforme as características de cada projeto.

“O conforto acústico não depende de um único material. Cada empreendimento apresenta condições próprias, e a solução precisa considerar o entorno e as fontes de ruído identificadas”, afirma Daniel Turchetti, Superintendente da Plaenge em Curitiba.

Em um dos estudos, uma cabine acústica foi construída no canteiro para comparar diferentes configurações de vidros e esquadrias. Os resultados passaram a orientar soluções adotadas em outros empreendimentos da incorporadora.

Privacidade também orienta os espaços de circulação

Além do isolamento entre ambientes e da atenuação dos ruídos externos, a noção de privacidade também alcança os acessos, as áreas comuns e a relação entre os apartamentos e a cidade.

No Casa Constant, empreendimento da Plaenge no Alto da XV, em Curitiba, o projeto contempla atenuação acústica em janelas, tubulações e áreas de lazer. As unidades têm áreas privativas entre 116 e 379 m².

A atenção crescente ao conforto acústico indica uma mudança mais ampla no mercado imobiliário: o alto padrão passa a ser percebido não apenas pelo que o imóvel exibe, mas também pela qualidade da experiência que preserva dentro de casa.

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