Imóveis nos bancos somam R$ 100 bilhões, e leilões e consórcios viram saída para fazer o estoque girar

Caixa gira 100 mil unidades estressadas por ano e espera vender R$ 7 bilhões em 2026; consórcio vendeu 838 mil cotas no semestre, alta de 42%

Os bancos concentram uma carteira de imóveis estressados estimada em R$ 100 bilhões, cerca de

140 mil unidades, segundo o Panorama de Mercado do CIMI Invest, vertical de inteligência do CIMI360,

o maior congresso imobiliário da América Latina. O número não considera fundos de direitos creditórios

e outros agentes financeiros, e muitas unidades ainda estão em negociação, renegociação ou

pré-execução.


Só a Caixa gira cerca de 100 mil unidades estressadas por ano e espera vender R$ 7 bilhões em ativos

em 2026. Do total, 70% das vendas são feitas por corretores de imóveis e 30%, por leilão. Esse

segundo canal acelerou: o levantamento aponta que os imóveis em leilão passaram de 9 mil em 2022

para 47 mil em 2024, com desconto médio de arrematação de 37,3% sobre a avaliação oficial.

O consórcio acompanha o movimento. Foram vendidas 838 mil cotas no semestre, contra 590 mil no

mesmo período de 2025, alta de 42%, com R$ 164 bilhões em créditos comercializados e 3,3 milhões

de participantes ativos em junho, 35,1% a mais em 12 meses. O ticket médio é de R$ 235 mil.


No Feirão dos Corretores, iniciativa ligada ao CIMI360, a lógica é a mesma: são 3,5 mil imóveis de

bancos, com descontos de até 70% e R$ 2 bilhões em ativos, e a edição de 2026 negociou R$ 650

milhões, acima da meta de R$ 300 milhões. “Estamos num momento em que há mais de 350 mil imóveis prontos em estoque nas incorporadoras.
 

O Feirão ajuda a resolver isso: o corretor que participa tem acesso exclusivo a oportunidades incríveis

do estoque disponível, e tem o cliente certo para cada imóvel, dando liquidez tanto pra quem construiu

quanto pra quem procura fechar negócio”, afirma Heitor Kuser, CEO e fundador do CIMI360

(Congresso Internacional do Mercado Imobiliário) e do CIMI Invest, presidente do INDIP, idealizador do

Feirão dos Corretores, vice-presidente sul da Confederação Imobiliária Latinoamericana (CILA) e

associado da FIABCI-Brasil.


Na leitura de Kuser, o gargalo não é de demanda. “Não é crise de demanda. É um problema de

circulação”, resume, e a vantagem competitiva do setor será criar novos canais para fazer o imóvel

circular.

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