Modelo de moradia voltado à população 60+ começa a se espalhar pelo país, impulsionado pelo rápido envelhecimento demográfico e pelo avanço da economia da longevidade
O mercado brasileiro de moradias voltadas à população com mais de 60 anos começa a ganhar escala no Brasil. A estimativa é da BIOENG Projetos, empresa especializada no desenvolvimento de projetos arquitetônicos de alta performance, aplicando a bioengenharia para a conexão dos ambientes às emoções dos usuários. Dados da empresa estimam que mais de 1.200 novas unidades habitacionais destinadas ao público 60+ estejam em desenvolvimento nas regiões Sul e Sudeste até o final deste ano, com projeção de crescer 300% nos próximos cinco anos.
O número sinaliza a expansão de um segmento ainda recente no mercado imobiliário brasileiro: o Senior Living, um conceito que vai além da criação de uma nova categoria de moradia. O envelhecimento da população começa a movimentar uma cadeia econômica que conecta construção civil, mercado imobiliário, arquitetura, saúde, tecnologia, alimentação, hotelaria, seguros, lazer e prestação de serviços. À medida que aumenta a longevidade, cresce também a demanda por soluções que permitam envelhecer com autonomia, segurança, conforto e qualidade de vida.
Esse avanço abre espaço para novos produtos e modelos de negócio como os empreendimentos voltados à longevidade, que passam a reunir serviços de saúde e bem-estar, alimentação, convivência, atividade física, monitoramento e tecnologia assistiva. Esse conjunto compõe a economia da longevidade, um mercado impulsionado pelas novas necessidades e pelos hábitos de consumo de uma população que vive por mais tempo.
Os dados deste movimento serão apresentados durante o Viva PKB, evento de longevidade promovido pelo ParkShoppingBarigüi, com a curadoria de Norton Mello, diretor presidente da BIOENG Projetos.
“Estamos acompanhando o nascimento de um mercado. Há pouco mais de cinco anos, praticamente não tínhamos empreendimentos pensados especificamente para a população 60+. Hoje, as consultas mostram que existe uma demanda crescente por projetos que considerem as diferentes necessidades de quem está envelhecendo”, afirma Norton Mello.
O conceito de Senior Living contempla empreendimentos planejados para pessoas que desejam manter autonomia, mas também pode incluir estruturas destinadas a moradores com algum grau de dependência ou necessidade de assistência. A proposta se diferencia do modelo tradicional das casas geriátricas por tratar a moradia como parte central do projeto, incorporando aspectos como acessibilidade, segurança, convivência, serviços e qualidade de vida.
De mercado emergente a uma nova categoria imobiliária
Em pouco mais de cinco anos, o país passou a registrar iniciativas de Senior Living em diferentes cidades. Em Porto Alegre, estão projetos como Vintage, pioneiro no conceito de Independent Living, além de Magno Três Figueiras e Magno Moinhos de Vento. Em Curitiba, surgiram Elissa Village, Senior’s Club, BIOOS Cabral e BIOOS Barigüi. Em Santa Catarina, o segmento conta com iniciativas como DOM, em Florianópolis, e Vittaros, em Joinville. São Paulo também já possui o Naara, enquanto outras cidades, como Uberlândia (MG), começam a entrar no radar do setor.
São pelo menos 11 iniciativas identificadas, considerando os projetos já apresentados nesse período. Com uma média de aproximadamente 100 unidades por empreendimento, a oferta ainda é pequena diante do crescimento da população brasileira com mais de 60 anos.
Para Mello, o cenário abre uma nova frente para incorporadoras, investidores e profissionais da construção civil.
“É importante entender que Senior Living não é simplesmente uma evolução das casas geriátricas. É uma nova categoria de moradia, que exige projetos arquitetônicos, serviços e modelos de operação pensados para a longevidade. E estamos apenas no começo desse processo”, explica.
Paralelamente ao Senior Living, a expansão de casas geriátricas, inclusive por meio de redes e franquias, amplia a oferta de serviços destinados à população idosa e reforça a diversificação dos modelos de moradia e assistência voltados a esse público.
“O envelhecimento deixou de ser uma questão para o futuro. Ele já está acontecendo e começa a mudar a forma como pensamos as cidades e as moradias. A construção civil terá um papel importante nessa transformação”, ressalta Norton Mello.
População 60+ em ascensão
O movimento de novas moradias acompanha uma transformação demográfica sem precedentes e começa a repercutir em diversos setores da economia. Entre 2020 e 2030, a população acima de 60 anos na América Latina deverá crescer 71%. No Brasil, o envelhecimento já é mais evidente em municípios das regiões Sul, Sudeste e em parte do Centro-Oeste, onde algumas cidades têm mais de 20% da população com 60 anos ou mais.
