A economia prateada, formada pelo consumo da população com 50 anos ou mais, já movimenta R$ 1,8 trilhão no Brasil, o equivalente a 24% do consumo privado dos domicílios. O valor deve chegar a R$ 3,8 trilhões em 2044, quando esse público responderá por 35% do consumo no país, segundo estudo da Data8. Hoje, são 59 milhões de brasileiros 50+, cerca de 27% da população, grupo que deve chegar a 40% dos habitantes em menos de duas décadas. A mudança demográfica também aparece nas projeções oficiais. O IBGE estima que a população com 60 anos ou mais chegará a 37,8% dos brasileiros em 2070, o equivalente a 75,3 milhões de pessoas. A idade média do país, que era de 35,5 anos em 2023, deve alcançar 48,4 anos no mesmo período.
No consumo, esse público já se comporta de forma diferente. O estudo da Data8 mostra que os brasileiros 50+ têm gasto mensal per capita 38% maior que a população abaixo dessa faixa etária. Os custos são menos diversificados, mas concentram despesas essenciais, como moradia, alimentação, transporte e saúde. A habitação já responde por 28% do consumo mensal dos prateados, acima dos 26% da população geral. Na saúde, a participação dos 50+ no consumo total do setor deve passar de 35% em 2024 para 43% em 2034.
No mercado imobiliário, esse público também começa a ampliar o peso de critérios como arquitetura focada em longevidade e saúde que antes ficavam em segundo plano na decisão de compra.
Em Balneário Camboriú, onde cerca de 30% da população já tem 50 anos ou mais, o Auris Residenze, do Fischer Group, o primeiro edifício-árvore do país, foi concebido com foco nas certificações internacionais WELL e LEED e prevê entregar desde água filtrada de alta qualidade em torneiras e chuveiros até renovação constante do ar nas áreas privativas e comuns. Projetado pelo escritório italiano Archea Associati e assinado por Marco Casamonti, o edifício terá apenas 26 unidades, uma por andar, 131 metros de altura e 11,5 mil m² de área construída.
O projeto também inclui sensores de CO e CO₂, reaproveitamento de águas cinzas e pluviais, fachada biofílica com brises e jardins suspensos. Segundo a empresa, o conjunto deve reduzir em até 42% o uso de ar-condicionado, 26% o consumo de energia e 52% o consumo de água.
“A longevidade muda a avaliação do imóvel. O comprador continua atento à localização, à planta e ao padrão construtivo, mas passa a observar também atributos que interferem diretamente na vida diária, como qualidade do ar, água, temperatura, silêncio, luz natural e contato com a natureza. Esses fatores já são vistos como parte da infraestrutura essencial de uma moradia preparada para o futuro. No Auris, nossa preocupação foi trazer essas soluções para a origem do projeto, porque saúde e bem-estar não podem ser adaptações posteriores em um empreendimento de alto padrão”, afirma Cláudio Fischer, CEO do Fischer Group.
