Vendas de imóveis avançam 5,4% no primeiro semestre e MCMV registra recorde

Indicadores da CBIC mostram crescimento nas vendas no primeiro semestre de 2026; programa habitacional responde por 58% dos lançamentos no segundo trimestre deste ano

O mercado imobiliário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento nas vendas de imóveis residenciais novos, mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados. De janeiro a junho, foram comercializadas 226.536 unidades, alta de 5,4% em relação às 214.910 unidades vendidas no mesmo período de 2025.

Os dados fazem parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do segundo trimestre de 2026, levantamento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), por meio da sua Comissão da Indústria Imobiliária (CII), em correalização com o Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional) e elaborado pela Brain Inteligência Estratégica.

No segundo trimestre deste ano, foram vendidas 113.676 unidades residenciais, crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2026 e de 5,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando haviam sido comercializadas 107.924 unidades.

Os lançamentos apresentaram comportamento mais moderado. Entre abril e junho de 2026, foram lançadas 107.161 unidades, crescimento de 2,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano, mas recuo de 1,3% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, foram 211.651 unidades lançadas, praticamente estáveis em relação às 212.338 registradas no primeiro semestre de 2025, uma redução de 0,3%.

“Os números mostram um mercado saudável e estável, com lançamentos e vendas avançando mesmo em um ambiente de juros elevados. A taxa de juros ainda pesa sobre o crédito imobiliário, encarece o financiamento e limita a capacidade de compra das famílias”, afirma o presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida. “Ainda assim, a demanda continua respondendo e o setor mantém um bom ritmo de atividade. Esse desempenho mostra a força do mercado imobiliário e também o potencial de crescimento que existe com condições de crédito mais favoráveis”, acrescenta.

Os lançamentos apresentaram dinâmicas distintas entre as regiões do país. Na comparação entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, o Nordeste registrou crescimento de 24,6%, seguido pelo Centro-Oeste, com 19,1%, e pelo Sudeste, com 1,2%. Em sentido contrário, houve retração de 25,1% no Sul e de 35,2% no Norte.

Nas vendas, o desempenho foi positivo em todas as regiões na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025. O Centro-Oeste apresentou a maior expansão, de 27,7%, seguido pelo Norte, com 15%, Nordeste, com 13,6%, Sudeste, com 1,3%, e Sul, com 0,2%.

Financiamento imobiliário pelo SBPE avança no primeiro semestre de 2026

Outro destaque dos dados apresentados pela CBIC é o desempenho do financiamento imobiliário pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que registrou avanços no primeiro semestre de 2026. Nas operações destinadas à aquisição de imóveis, as concessões alcançaram R$ 67,2 bilhões, crescimento de 12% frente aos R$ 60,1 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025.

“O novo modelo do SBPE já apresenta resultados concretos, com avanço do crédito imobiliário e perspectivas positivas para o mercado”, destaca Eduardo. Para ele, os resultados também evidenciam a relevância da atuação da CBIC e de suas entidades na construção e nos debates que levaram à reformulação do sistema, uma das principais pautas defendidas pelo setor.

“O avanço do financiamento para aquisição é um sinal importante para o mercado. Mais crédito amplia a capacidade de compra das famílias, fortalece a demanda e contribui para manter o ritmo das vendas, com efeitos positivos para toda a cadeia imobiliária”, afirma o vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC e presidente do Secovi-SP, Ely Wertheim.

No financiamento à construção, o avanço foi ainda mais expressivo. As concessões passaram de R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 26,5 bilhões no mesmo período de 2026, crescimento de 107%.

Minha Casa, Minha Vida amplia participação no segundo trimestre de 2026

Um dos principais destaques do período foi o desempenho do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O programa respondeu por 58% de todos os imóveis residenciais lançados no país no segundo trimestre de 2026, maior participação do MCMV nos lançamentos desde o início da série histórica, em 2019.

Foram 62.129 unidades do MCMV lançadas, ante 45.032 unidades dos demais padrões. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, os lançamentos vinculados ao programa cresceram 19,9%. Nos três primeiros meses de 2026, o MCMV representava 50% dos lançamentos.

“O Minha Casa, Minha Vida poucas vezes representou mais de 50% dos lançamentos e, neste trimestre, chegou a 58%, um patamar bastante significativo. O programa ganhou participação no mercado e ainda há espaço para avançar, podendo chegar a 60% ou até 65% dos lançamentos”, avalia o conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

A participação do programa também revela diferenças importantes entre as regiões. No segundo trimestre deste ano, o MCMV respondeu por 68% dos lançamentos no Norte, 66% no Sudeste, 60% no Nordeste e 52% no Centro-Oeste. No Sul, a participação foi menor, de 29%.

Das 113.676 unidades vendidas no segundo trimestre de 2026, 58.392 estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o equivalente a 51% do total. O resultado representa crescimento de 5% em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando as vendas do programa somaram 55.596 unidades.

Celso Petrucci analisa ainda que a maior participação do Minha Casa, Minha Vida também se reflete nos valores movimentados pelo mercado, já que os imóveis enquadrados no programa possuem, em geral, menor ticket médio.

O Valor Geral de Lançamentos (VGL) somou R$ 62,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta em relação aos R$ 61,4 bilhões dos três primeiros meses deste ano, mas queda de 23,1% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Já o Valor Geral de Vendas (VGV) ficou em R$ 66,2 bilhões entre abril e junho deste ano, praticamente estável frente ao primeiro trimestre de 2026, mas 5,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O ticket médio dos imóveis vendidos ficou em R$ 581,9 mil, redução de 1% frente ao trimestre anterior e de 10,3% na comparação anual.

Oferta de imóveis recua 2,1% no segundo trimestre de 2026

Ao final do segundo trimestre de 2026, havia 355.290 imóveis residenciais novos disponíveis para comercialização no país, redução de 2,1% em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando a oferta era de 362.953 unidades. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, a oferta ficou 8,2% maior.

A redução da oferta ocorreu na maior parte das regiões na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026. O volume caiu 9% no Norte, 6,5% no Centro-Oeste, 5,1% no Sul e 3,3% no Nordeste. O Sudeste foi a exceção, com crescimento de 1,1%.

Na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2025, o quadro é diferente. A oferta disponível aumentou 17,8% no Sudeste e 13,1% no Centro-Oeste. No Sul, a alta foi de 0,6%, enquanto o Nordeste apresentou recuo de 0,4%. No Norte, a redução chegou a 15,8%.

No Minha Casa, Minha Vida, o programa encerrou o segundo trimestre deste ano com 137.151 unidades disponíveis, crescimento de 2,9% sobre o primeiro trimestre de 2026.

Dois dormitórios concentram 65,2% das vendas no segundo trimestre de 2026

Os imóveis de dois dormitórios concentraram 65,2% das unidades residenciais vendidas no segundo trimestre deste ano, mantendo-se como a principal tipologia comercializada no país. Na sequência aparecem os imóveis de um dormitório, com 23,1% das vendas, os de três dormitórios, com 10%, e os de quatro dormitórios, com 1,8%.

“Quase dois em cada três imóveis vendidos no trimestre têm dois quartos. Essa concentração mostra a força dessa tipologia no mercado brasileiro, por atender a diferentes perfis de compradores”, destaca Ely Wertheim.

Ao mesmo tempo, as unidades de um dormitório vêm ganhando espaço no mercado, movimento associado também às mudanças no perfil das famílias e dos compradores.

“Os imóveis de um quarto também ganharam uma relevância que não tinham há algum tempo. É um movimento que acompanha mudanças demográficas, como o crescimento do número de jovens e de pessoas que optam por morar sozinhas”, acrescenta Wertheim.

Intenção de compra chega a 52%

A demanda também se reflete na disposição das famílias para adquirir um imóvel. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses, três pontos percentuais acima dos 49% registrados no mesmo período de 2025.

Entre os entrevistados, 38% pretendem comprar, mas ainda não começaram a procurar um imóvel; 10% já realizam buscas pela internet; e 4% já visitam imóveis. Outros 48% afirmaram não ter intenção de compra no período.

Entre as principais motivações para a aquisição, sair do aluguel aparece em primeiro lugar, com 37% das respostas. Em seguida estão sair da casa dos pais, com 15%; buscar mais espaço, com 14%; adquirir um imóvel para locação, com 12%; e mudança de localidade, com 9%.

Abrangência nacional

Os Indicadores Imobiliários Nacionais reúnem informações de 221 cidades brasileiras, abrangendo diferentes regiões e realidades do mercado imobiliário do país. O levantamento contempla imóveis de diferentes tipologias, padrões e faixas de preço, desde unidades enquadradas no Minha Casa, Minha Vida até empreendimentos de médio e alto padrão, oferecendo um amplo retrato do comportamento dos lançamentos, vendas e da oferta de imóveis residenciais novos no Brasil.

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