Levantamento da RealtyCorp aponta vacância em níveis mínimos, absorção positiva e maior pressão nas negociações para ocupantes
O mercado de escritórios da Nova Faria Lima iniciou 2026 com oferta limitada, demanda aquecida e preços em trajetória consistente de alta. Os dados do levantamento RealtyCorp Analytics 4T 2025 indicam que a maior dificuldade percebida por empresas nas negociações reflete um cenário de escassez estrutural na principal região corporativa de São Paulo.
No universo Corporate Total da região, que reúne todas as classes de edifícios em um estoque de 1,42 milhão de m², a taxa de vacância encerrou o período em 6,58%. O patamar reduzido indica menor margem de negociação, especialmente para empresas que buscam grandes áreas ou localizações específicas.
A ocupação segue em ritmo positivo. No quarto trimestre de 2025, a absorção líquida foi de 11,5 mil m², considerando-se todas as classes de edifícios, sinalizando que as empresas continuam expandindo ou consolidando operações na região, mesmo diante da baixa disponibilidade. O movimento reforça o desequilíbrio entre oferta e demanda, que tende a sustentar a pressão sobre valores no curto prazo.
Os preços confirmam a tendência de valorização. O valor médio pedido no perfil Corporate (todas as classes) fechou o ano em R$ 262,85 por m², mais que o dobro do registrado no final de 2022, quando a média era de R$ 117,52 por m². A alta acumulada de 123% em três anos evidencia um ciclo contínuo de elevação, sem sinais relevantes de desaceleração ao longo do período.
A análise por classe de ativos mostra dinâmicas distintas dentro da própria região. Nos edifícios de alto padrão (Corporate A+), o preço médio atingiu R$ 283,96 por m², com vacância de 8,01%. Esses empreendimentos seguem concentrando a demanda de grandes instituições financeiras e empresas de tecnologia, que priorizam imagem corporativa e presença no principal eixo de negócios da cidade.
Nos edifícios Corporate A, os valores médios chegaram a R$ 279,94 por m², praticamente no mesmo nível dos ativos A+. A proximidade indica um movimento de compressão de preços, em que a escassez de empreendimentos “troféu” leva empresas a competir por alternativas de alto padrão para garantir endereço na região.
Já os edifícios classificados como Corporate Outros (B e C) registraram preço médio de R$ 104,21 por m² e vacância de apenas 2,72%, o menor nível entre as categorias. A baixa disponibilidade sugere retenção de ocupantes e tem estimulado projetos de modernização e retrofit como alternativa para ampliar a oferta qualificada.
Mesmo com valores em patamares históricos, o mercado permanece ativo. Entre as principais movimentações do trimestre na região da Nova Faria Lima, estão a expansão do Banco ABC Brasil, com ocupação superior a 10 mil m², e a absorção de aproximadamente 2 mil m² pela GCB Investimentos. As operações reforçam a permanência da demanda por parte de grandes empresas, especialmente do setor financeiro, para as quais a localização estratégica continua sendo um fator prioritário.
Para 2026, o cenário aponta para um mercado mais seletivo e competitivo. Com oferta restrita e valorização consistente, decisões antecipadas e baseadas em inteligência de mercado tendem a ganhar importância para empresas que planejam expansão, relocalização ou renegociação de contratos na Nova Faria Lima.
