Balneário Camboriú prepara mais de R$ 700 milhões em investimentos para construir a cidade do futuro

Reurbanização da Avenida Brasil, nova orla da Praia Central, Parque Inundável e melhorias em saneamento fazem parte de um ciclo de obras para acompanhar o crescimento urbano e turístico do município catarinense.

Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, prepara uma nova fase de desenvolvimento urbano com mais de R$ 700 milhões em investimentos previstos para infraestrutura, requalificação dos espaços públicos e segurança ambiental. O pacote reúne projetos como a transformação da Avenida Brasil, a nova orla da Praia Central e o Parque Inundável Multiuso do Rio Camboriú, iniciativas que buscam preparar uma das cidades mais valorizadas do país para as próximas décadas.

Com 139.155 habitantes em apenas 45,2 km², segundo o IBGE, e uma população que chega a cerca de 2 milhões de visitantes durante a temporada de verão, Balneário Camboriú passou a investir em soluções para acompanhar o próprio crescimento. A cidade, conhecida pela verticalização e pelo mercado imobiliário de alto padrão, entra agora em um ciclo em que infraestrutura, mobilidade, saneamento e qualidade urbana passam a ser protagonistas.

Entre os principais projetos está a reurbanização da Avenida Brasil, principal eixo comercial do município, que terá cerca de 4,5 quilômetros requalificados. A intervenção, estimada em mais de R$ 300 milhões, prevê a implantação de rede subterrânea de energia e telecomunicações, novas calçadas, acessibilidade, drenagem, paisagismo, mobiliário urbano e melhorias na circulação de pedestres, ciclistas e veículos. Antes da execução das obras, mais de 40 empresas reunidas no Instituto +BC investirão cerca de R$ 10 milhões em estudos e projetos técnicos que serão entregues ao município para licitação.

Outro eixo da transformação está na relação da cidade com o mar e com os recursos naturais. A reurbanização da orla da Praia Central, com investimentos estimados em cerca de R$ 300 milhões, busca modernizar um dos principais cartões-postais do município. Na área ambiental, projetos de saneamento e o Programa Praia Limpa avançam com ações voltadas à melhoria da balneabilidade. Já o Parque Inundável Multiuso da Bacia do Rio Camboriú entrou em uma nova etapa: as prefeituras de Balneário Camboriú e Camboriú lançaram a licitação para implantação do projeto, com orçamento estimado em R$ 95,2 milhões. A estrutura foi planejada para reduzir os impactos das enchentes e ampliar a disponibilidade de água para o abastecimento dos dois municípios, especialmente em períodos de estiagem. 

A visão de longo prazo também faz parte desse processo. Balneário Camboriú contratou o arquiteto e urbanista Jaime Lerner para desenvolver um masterplan com horizonte de 30 anos, com diretrizes para mobilidade, ocupação urbana, espaços públicos e integração entre crescimento econômico e qualidade de vida.

“Eu acompanhei diferentes momentos de transformação de Balneário Camboriú e a cidade sempre teve a capacidade de olhar para frente. O próximo desafio é preparar a infraestrutura para acompanhar esse desenvolvimento, garantindo que o crescimento continue valorizando aquilo que tornou a cidade reconhecida: a relação entre mar, natureza e qualidade de vida”, afirma Cláudio Fischer, CEO do Fischer Group, que também integra a diretoria do Instituto +BC.

Essa nova fase também começa a aparecer na arquitetura dos empreendimentos. O Auris Residenze, desenvolvido pelo Fischer Group em parceria com o escritório italiano Archea Associati, foi concebido como um edifício do futuro para uma cidade em transformação. Conhecido como o primeiro projeto de “edifício-árvore” do Brasil, o empreendimento propõe uma nova relação entre construção e natureza, com jardins suspensos, estrutura aparente, soluções ambientais e conceito inspirado na biofilia. 

Para Thomas Fischer, representante da nova geração do grupo, o futuro das cidades dependerá da capacidade de unir desenvolvimento, inovação e bem-estar. “A próxima geração de arquitetura precisa responder aos novos desafios urbanos. Não se trata apenas de construir edifícios maiores, mas de criar espaços conectados com as pessoas e com o ambiente onde estão inseridos”, afirma.

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