Como e por que nasce um bairro planejado

O que projetos como o Eurogarden, em Maringá, revelam sobre o futuro das cidades.

À medida que uma cidade cresce, as casas vão ocupando os terrenos disponíveis, o comércio surge onde há demanda e as ruas e serviços se adaptam à ocupação e às necessidades das pessoas. Às vezes de forma caótica, ou não. Em um bairro planejado, a lógica é outra. Antes mesmo da chegada dos moradores, o território é desenhado para organizar a circulação, os espaços públicos e os diferentes usos da área.

É importante, no entanto, não confundir bairro planejado com um condomínio fechado. Enquanto o primeiro pode ser integrado à malha urbana, com ruas e espaços de uso público, o segundo reúne propriedades privadas e áreas comuns administradas pelos moradores, com regras próprias de acesso e manutenção. Os dois modelos podem coexistir no mesmo território, mas não são a mesma coisa.

No Brasil, esse modelo ganhou diferentes formatos ao longo do tempo. Em São Paulo, o Jardim América, implantado a partir de 1915 pela Companhia City, é um dos primeiros exemplos. Mais tarde, projetos de maior escala passaram a combinar moradia, comércio, serviços e trabalho em uma mesma área, aproximando funções que antes estavam mais dispersas pela cidade.

O Eurogarden, em Maringá (PR), é um exemplo dessa geração de projetos. A proposta foi lançada em 2022 e ocupa a área do antigo Aeroporto Gastão Vidigal e um terreno privado vizinho. Hoje, o empreendimento integra uma região que também recebe o novo Centro Cívico.

São 583 mil metros quadrados de área privada, com áreas residenciais, comerciais e de serviços, além de espaços verdes e infraestrutura de mobilidade. O investimento total informado pela empresa é de R$ 200 milhões, com previsão de cerca de 20 mil moradores até a conclusão do projeto.

Do sonho ao projeto

A história do Eurogarden está ligada à trajetória de seu idealizador, Jefferson Nogaroli, CEO da Eurogarden Empreendimentos. A ideia do bairro, segundo ele, nasceu ainda na infância e ganhou forma décadas depois. “Quando eu era criança, sonhei com esse bairro. Depois de adulto, tive a oportunidade de transformar esse sonho em realidade”, afirma.

No projeto, essa visão se traduz no conceito de one-stop life, que busca aproximar moradia, trabalho, serviços e lazer. A intenção é que parte das atividades cotidianas possa ser realizada no próprio bairro, reduzindo deslocamentos e aproximando diferentes usos.

A infraestrutura acompanha essa proposta. O projeto tem cinco quilômetros de ciclovias, dos quais três já foram implantados, além de um Parque Linear Público de 120 mil metros quadrados. Também estão previstas rede elétrica subterrânea, iluminação LED, captação de água da chuva, irrigação inteligente e geração de energia fotovoltaica.

O empreendimento já recebeu as certificações LEED Platinum e WELL Community Gold. A primeira está relacionada ao desempenho ambiental e à sustentabilidade das construções; a segunda, à saúde e ao bem-estar das pessoas.

A transformação também alcança o entorno. A região do antigo aeroporto passou a receber equipamentos públicos e integra o novo Centro Cívico de Maringá, criando uma concentração de atividades em uma área que durante décadas teve outra função.

O Eurogarden ainda está em desenvolvimento, e a ocupação ocorre por etapas. “Um bairro planejado nasce de uma visão de longo prazo. É preciso imaginar como as pessoas vão querer viver daqui a 20, 30 anos e ter a coragem de começar a construir isso hoje”, conclui Nogaroli.

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